Benjamin Küse de Faria – Presidente de 1973 a 1976

Benjamin Küse, pecuarista ovinocultor d Lages, atual proprietário da Fazenda Ferradura, no Cajurú, aliás, o local inicial da fundação de Lages. Me parece que Cajurú em idioma indígena significa “Boca do Mato”. Comecemos pelo início de sua vida. A infância, primeiras lembranças da fazenda e , posteriormente, a vinda para a cidade para os estudos.

P: Além do Corredor, você também é um entusiasta das cavalgadas. Infelizmente parece que elas não têm a dimensão que poderiam ter. Gostaria que fizesse uma análise sobre as possibilidades de fazermos mais cavalgadas, na Coxilha principalmente.

R: Sempre recomendo que se fale nos compôs de Lages. Tenho a diferença que não são idênticos aos Índios, o Tributo ou Santa Terezinha. O resto, partiu pro lado Sul, tudo é coxilha. É Coxilha dos morrinhos, Coxilha da Boa Vista, Coxilha do Raposo, Coxilha de São Jorge, Coxilha do Paequere, Coxilha do Passo da Vitória, enfim, todos tem Coxilha.

Acho que nós temos condições que eu chamo de privilegiadas sobre o Caminho das Tropas, pode passar mais pra lá, mais pra cá, isso não vem ao caso. Nós temos a história que não é dita nem por você nem por mim, está em livros que aqui foi o caminho das tropas de Cristóvão Pereira de Abreu, um dos grandes desbravadores.

Todas essas cavalgadas, eles fazem para homenagear e relembrar o Caminho das Tropas. Só que hoje dentro de uma certa facilidade, mordomia, caminhão.

Naquele tempo era a serviço, a negócio. A diferença é muito grande, mas todos nós podemos chegar ao denominador de que “todo cavalo encilhado representa o Caminho das Tropas”. Representa tropas de mula, representa tropas de bovinos. Poucos produtores estão dando apoio e não estou culpando nossos colegas produtores. É a “administração”, através do Departamento Turístico ou Secretaria do Turismo que tem que fazer isso. Tem que ir na Fazenda, se ela está bem localizada (a minha está próxima da cidade), nas outras ir ver o que falta. O que precisa para receber uma cavalgada, porque está aflorando e não há um desenvolvimento que contemple o motivo das cavalgadas. Se a gente quisesse, tinha cavalgadas todo mês, porque o pessoal está muito afim de sair e andar de cavalo.

Uns porque gostam, outros porque querem representar a História. Na verdade, eu acho que é o manancial que está perdido, baseado em que nossas produções de bovinos estão muito modificadas.

As nossas regiões são pouco lavráveis mesmo, por causa das pedras. Então nós teríamos que passar por um terceiro possível ganho através das cavalgadas, porque hoje se recebe só alguns “pilas” sobre as cavalgadas.

P: Além desse trabalho cultural, também exerceu no passado a Presidência do Sindicato Rural de Lages. Gostaria que falasse sobre isso, a sua experiência lá no Sindicato e na época como se dava. Talvez comparando com os dois dias de hoje. O que tem a dizer sobre isso?

R: Vi muitas coisas pitorescas, coisas históricas, coisas inacreditáveis.

Comecei a fazer parte porque achei que alguém tinha que trabalhar, quando assumi a pecuária em Lages. Meu pai era pecuarista, pequeno é claro. Fui coordenador de várias exposições no tempo do tio Ulisses e do Pedro Lisbôa. Antes, eu já ajudava a coordenar a Exposição. Coordenador geral: desde limpar o galpão até receber Ministros. Naquele tempo, vinham até ministros (por incrível que pareça) e até é bom que se diga. Na minha gestão eu recebi o Cirne Lima. Não foi por minha causa, foi por causa da pecuária de Lages. Tinha nome e ainda tem! Nós não tínhamos estrutura.

Tínhamos um tal de Comissariado, que pouca gente conheceu (temos fotografias do comissariado). Recebíamos desde grandes produtores, expositores até os varredores para decidir alguma coisa, lá dentro com o presidente. Este Comissariado era o ponto central do Parque.

Depois com aquele trabalho que fomos fazendo cheguei a presidente. O Sindicato estava numa época bastante “sofrida”. Ninguém mais estava acreditando muito no nosso setor.

Mas de qualquer maneira se fazia coisas, como hoje. Hoje nós temos quase todas as associações de raças que estão lá dentro pra ajudar a receber. Nós temos as “casinhas” como chamamos, as recepções para os representantes do agronegócio em Lages. O presidente tem seu gabinete. No meu tempo eram cadeiras de palha e nós nos orgulhávamos.

Hoje temos gabinetes, salas boas, refrigeradores. Isso não me surpreende. Tem que ir evoluindo! Naquele tempo fazíamos churrasco oficial, coisa que me aborrece um pouco não fazermos até hoje. Não precisa ser para a população em geral, mas para os que merecem, os expositores, os convidados. Na minha gestão fizemos em todas as Exposições o Churrasco Oficial de Abertura. Naquele tempo se ouvia o discurso, porque decerto queriam comer churrasco e tinham que ouvir o discurso primeiro.

Hoje sinto tristeza de ver nossas aberturas e chamar de “festa”. Nunca chamei Exposição de festa, porque é uma apresentação do nosso trabalho, do serviço, da pujança, do que pode e o que se deve fazer! Na verdade gostaria que isso voltasse! Acho difícil, mas não impossível. Nossos substitutos estão comodistas? Na minha gestão, começaram a achar que era muito difícil e tal, faltava água, tinha pouca luz, mas a exuberância era grande desde o tempo em que o Parque foi no Conta Dinheiro. Na minha função, dentro do setor agropecuário, é como administrador junto com um grupo de pessoas, o que achei mais interessante na época que assumi o Sindicato, senti que muitos líderes não quiseram aceitar convites, porque era unânime. Não precisava de eleição e eu fui bastante assediado para assumir e peguei um grupo muito bom, o Sr. Luiz Ramos Neto, Nelson Araújo, Lúcio Borges, João Rosa, Tataco, Dinha. E os patriarcas, Ari da Costa Ávila, Ivo Bianchini, Tio Ulisses e muitos outros, não faltavam em reunião, o mais importante era para me cuidar! Deu no que eu queria, porque sempre havia uma reunião de bastante euforia e discussão e interesse. Não como hoje, que se convoca uma reunião e vão dois ou três. No meu tempo a casa era cheia porque o pessoal ia, talvez para me cuidar, das minhas administrações. E dali pra frente o Sindicato é o que é hoje.